Quase perdida na Praia do Norte
Em outubro de 2013, a surfista brasileira de ondas grandes Maya Gabeira foi rebocada para um dia enorme na Praia do Norte. Uma queda partiu-lhe o tornozelo, deixou-a inconsciente e de bruços na zona de impacto. O colega Carlos Burle tirou-a da água e reanimou-a na areia. Esteve, com toda a honestidade, a segundos de se afogar.
Para a maioria, seria o fim da história. Para a Gabeira, foi o meio.
O longo caminho de volta
A recuperação exigiu várias cirurgias e anos de reabilitação. Em vez de virar as costas à onda que quase lhe custou a vida, mudou-se para a Nazaré e fez da Praia do Norte o seu pico — estudando os seus humores, as marés e o canhão que a torna tão violenta, até a conhecer como poucos.
Dois recordes mundiais
Em janeiro de 2018, o Guinness World Records ratificou uma onda que surfou na Nazaré com 20,7 metros (68 ft) como a maior alguma vez surfada por uma mulher. Depois, a 11 de fevereiro de 2020, foi ainda mais longe: 22,4 metros (73,5 ft) — não só um novo recorde feminino, mas confirmada como a maior onda surfada por qualquer pessoa, homem ou mulher, em todo aquele inverno. Continua a ser o recorde mundial feminino e lidera a nossa Hall of Fame.
Maya and the Wave
A sua história chegou muito para além do surf com o documentário Maya and the Wave (2022), que acompanha o quase-afogamento de 2013, a luta pelo reconhecimento e a onda recorde que respondeu a todos os que duvidaram. Se estás a planear uma viagem, vê a previsão ao vivo e o calendário de eventos — os dias em que a Gabeira construiu a carreira são os mesmos gigantes que os melhores do mundo perseguem todos os invernos.