Nazaré
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O que fazer na Nazaré

Além das ondas gigantes, a Nazaré é uma vila piscatória viva, com vistas do alto da falésia, um ascensor com 130 anos, uma lenda fundadora e algum do melhor marisco da costa. Assim enches um dia — ou um fim de semana prolongado — à volta do promontório.

Nazaré, Portugal
Nazaré — a praia, a vila e o promontório.

Ver as ondas — em segurança

O forte na ponta, o Forte de São Miguel Arcanjo, alberga o farol vermelho Farol da Nazaré — o principal ponto de observação das famosas ondas. Funciona também como pequeno museu de surf e do mar (entrada cerca de 2 €), contando a história das ondas recorde da Praia do Norte, cujo canhão submarino produz as maiores ondas alguma vez surfadas. Observa do alto; nunca desças até às rochas — o mar aqui é mortal, e alcança sítios que parecem seguros até à série seguinte.

Das muralhas vês a linha que os surfistas percorrem: a onda ergue-se ao sentir o canhão e corre para o molhe. Para perceberes porquê, o nosso guia do canhão explica a geologia em palavras simples, e a previsão e a webcam ao vivo dizem-te se os gigantes andam hoje. A época de ondas grandes vai do fim do outono ao início da primavera; fora disso, o promontório é apenas um belo passeio.

No Sítio

O Ascensor da Nazaré, um funicular a funcionar há mais de 130 anos, sobe os cerca de 380 m da marginal até ao bairro do Sítio, no alto da falésia — 1,50 € só ida, 2,90 € ida e volta. A viagem sobe a chocalhar enquanto a baía se abre atrás de ti; as velhas carruagens são, por si só, um pedacinho de história.

O Miradouro do Suberco fica a cerca de 110 m acima do mar, com vista ampla sobre o areal dourado, a vila de telhados vermelhos e a rebentação em baixo. É o postal da Nazaré — e é grátis. A poucos passos ergue-se o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, do século XIV, cuja fachada sóbria esconde um interior barroco dourado e uma pequena Madona de madeira escura — a grande romaria e a festa em sua honra caem em setembro.

Ali perto está a pequena Ermida da Memória, uma capelinha revestida de azulejos azuis e brancos, erguida no exato lugar onde se desenrola a lenda fundadora da vila. Para uma vista mais tranquila, caminha até ao Miradouro da Pederneira, sobre os telhados alaranjados — muitas vezes vazio, enquanto a multidão se junta no Suberco.

Vista sobre a Nazaré a partir da falésia
A vista do Sítio, no alto da baía.

A lenda da Nazaré

A Ermida da Memória existe por causa de uma história que todos os locais conhecem — O Milagre da Nazaré. Em 1182, o cavaleiro Dom Fuas Roupinho caçava um veado ao longo das falésias, no nevoeiro cerrado da manhã. O animal correu para o precipício e ele galopou atrás, sem ver o abismo à frente. No último instante invocou a Virgem, e o seu cavalo estacou mesmo à beira do precipício, os cascos sobre o vazio.

Convencido de que a Madona lhe salvara a vida, Dom Fuas mandou erguer ali uma capela: a Ermida da Memória, a «capela da lembrança». O milagre deu ao povoado a sua identidade de lugar de peregrinação, e conhecer a lenda muda o modo como sentes a falésia — aquele murete no Suberco é a borda de que o cavalo recuou, e todo o Sítio cresceu à volta de um momento de nevoeiro e fé.

Na vila

O longo areal dourado da Praia da Nazaré, o animado Mercado Municipal e as tascas da marginal são o coração da vila. No verão enche-se de chapéus e fica animada até tarde; fora de época, pertence aos pescadores e às gaivotas. Passeia pelo mercado de manhã, quando o peixe do dia está na banca sobre gelo.

Isto é ainda uma verdadeira comunidade piscatória, não um cenário. Repara nas mulheres mais velhas com as tradicionais sete saias — as sete saias — e nos estendais de peixe a secar ao sol na areia, um método de conservação anterior ao frigorífico que ainda dá sabor à cozinha local. Para escolher onde ficar, o nosso guia de alojamento explica as diferenças entre a marginal, o Sítio e as zonas mais sossegadas.

Vila e marginal da Nazaré
A marginal e a parte antiga.

Onde e o que comer

A Nazaré come o que pesca. O prato clássico é a caldeirada, um guisado de peixe e marisco que muda com a pesca; ao lado encontras sardinhas assadas no verão, percebes arrancados às rochas e açorda, um preparado de pão e marisco com alho. O famoso peixe seco ao sol aparece grelhado como petisco e em pratos mais substanciais.

Come onde a vila come: as tascas da marginal para peixe grelhado, sapateira e amêijoas — sítios como a Taberna d’Adélia — ou algo como o Sitiado, para petiscos mais criativos. Este é um porto de trabalho: preços justos, doses generosas, e as melhores refeições costumam ser as mais simples, tiradas diretamente da grelha.

Com crianças ou num dia sem ondas

Quando o mar está calmo, no verão o parque aquático Norpark — escorregas, uma piscina semiolímpica, um jacuzzi gigante e uma zona infantil — é uma boa alternativa, e a praia abrigada da vila mantém-se calma e ideal para famílias, enquanto ali ao lado os gigantes rebentam na Praia do Norte.

Se for a tua primeira visita, o nosso guia da primeira vez traça um plano simples para um ou dois dias, e a página como chegar explica a chegada de carro ou autocarro.

Além da Nazaré — passeios de um dia

A Nazaré é uma boa base para o centro de Portugal, com vários clássicos por perto. A vila medieval muralhada de Óbidos, a cerca de 30 km para sul, é um emaranhado de ruelas caiadas de branco. O Mosteiro de Alcobaça, Património da UNESCO a curta distância, guarda uma das maiores igrejas góticas do país, enquanto o Mosteiro da Batalha, também da UNESCO, é uma construção do gótico flamejante erguida em memória de uma batalha medieval.

  • São Martinho do Porto — uma baía calma em forma de concha, a sul, de água morna; o contraponto seguro à rebentação da Nazaré.
  • Fátima — a grande vila de peregrinação, a cerca de 45 minutos, um dos mais importantes lugares católicos do mundo.
  • Caldas da Rainha — uma cidade termal conhecida pelo mercado diário e pela cerâmica bem-disposta.

De carro encadeias dois ou três num só dia, o que faz da Nazaré uma base ideal para várias noites. Seja qual for o plano, vê a previsão antes de dedicares um dia à costa — e se os gigantes andarem na Praia do Norte, tudo o resto pode esperar.

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O Big Wave Alert

Um email assim que o canhão alinha para uma ondulação gigante — com o dia, a maré e a altura prevista.

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